TDAH e suas polêmicas

Sempre tento me controlar e evito escrever para não causar mais polêmica em torno deste assunto, mas minha ânsia em alertar e ajudar pais e portadores é incontrolável… rs.

Assisti um filme brasileiro chamado “A menina Índigo”, que merece algumas críticas e comentários importantes. Vou me basear nele para escrever sobre uma constatação e alerta aos pais que tenho percebido cada vez com mais frequência no consultório: os pais hoje em dia vivem a vida em razão dos filhos e têm uma dificuldade imensa em colocar os limites necessários para transmitir-lhes segurança.

Espero não ser mal interpretada, pois precisamos sim dedicar grande parte de nossa energia, disposição em educar, e atenção aos pequenos, não importa a idade. Mas tenho visto dinâmicas que acabam sendo patológicas. Resultado: os pequenos sentem este peso em algum momento, de forma intuitiva, e se perdem em tamanha responsabilidade sem preparo e maturidade emocional.

Pais devem incluir os filhos em seus planos e projetos de vida, mas jamais deixar de ter seus projetos, em razão dos filhos. Devem sim apoiar os pequenos a terem os deles, e criar condições para que eles desenvolvam recursos cognitivos e emocionais para conquista-los. Voltando ao filme: tirando o contexto místico e a teoria espiritual sobre as crianças deste milênio, percebemos sim que estamos diante de cérebros e mentes evoluídas, com uma facilidade imensa em ter acesso a informações e constatações que nos surpreendem cada vez mais. Definitivamente os adultos, pais e educadores não estão preparados para esta evolução tão inesperada e acelerada desta geração.

Estamos tendo que nos adaptar e correr atrás de informações e habilidades para educa-los. A neurociência e sociologia já são suficientes para explicar tal fenômeno: o acesso a quantidade de informações e estímulos tecnológicos desde cedo já proporciona e cria condições para o estimulo do desenvolvimento neuronal e neuroplasticidade.

Em um recente congresso, ouvi uma palestra muito interessante de um colega neurologista, que lançou uma pergunta interessante, que também permeia alguns questionamentos de outros estudos na área: nosso sistema nervoso está preparado cognitivamente para tantos estímulos? Será que alguns transtornos cuja incidência aumentou significativamente ao longo dos últimos anos (TDAH, Demência), não sugerem uma dificuldade de adaptação a era tecnológica ou a necessidade de multitarefas que desempenhamos hoje em dia?

A minha crítica em relação ao filme é mostrar que o objetivo do tratamento é não respeitar a singularidade de cada criança. Mostra diversos profissionais da área da saúde, medicando a menina pela dificuldade de adaptação da mesma. TDAH não é isso!

Ele causa prejuízo no convívio social, dificuldades escolares, a criança fica taxada de chata, inadequada, e acaba sendo excluída das festinhas e eventos com os pares.

Há sofrimento importante dela e da família! Vai crescendo e acumulando cada vez mais prejuizos: desenvolve depressao, uso abusivo de drogas, conflitos interpessoais e prejuizo profissional. É muito gratificante tratar e ver os resultados!

E tratamento não quer dizer só medicamento! Um bom psiquiatra da infância e adolescência trabalha em equipe, coordena cuidados, indicando o melhor tratamento no momento certo (terapia, fono, atividade física e ocupacional, reforço pedagógico, mudança de escola, medicação, etc.).

Sempre é bom lembrar que o diagnóstico é feito com cautela, avaliando principalmente os prejuízos decorrentes dos sintomas. Preservar os talentos e ajudar no desenvolvimento destes é importante em qualquer tratamento. E quando suprimimos os sintomas, eles fluem com mais facilidade…

Share your thoughts